Palocci : só quem deve, teme

Qualquer pessoa que multiplique seu patrimônio por 20 num período curto de quatro anos será motivo de curiosidade alheia. Se este indivíduo é homem público, a curiosidade extrapola para a desconfiança. Se é o principal ministro de Estado de um governo, a situação passa a exigir escrutínio completo. É o caso de Antonio Palocci.

 

Não adianta os porta-vozes do governo Dilma quererem dar o caso como encerrado na marra, quando nenhuma das dúvidas que cercam o meteórico enriquecimento do ministro foram esclarecidas até agora. Palocci já caiu uma vez por ter tido suas versões desmentidas pela realidade. Vai cair de novo ?

 

Em 2006, quando se elegeu deputado federal pelo PT, Palocci declarou à Justiça Eleitoral patrimônio estimado em R$ 375 mil. Nos quatro anos em que exerceu o mandato de deputado, ele recebeu R$ 974 mil brutos em salários. Mas em 2009 e 2010, adquiriu dois imóveis – um apartamento e um escritório – no valor de R$ 7,5 milhões. Comprou-os em nome da Projeto, empresa de consultoria da qual possui 99,9% do capital. Mas até agora, a sociedade brasileira assiste, estarrecida, como o ministro adquiriu um apartamento de R$ 6,6 milhões quitado em apenas duas parcelas e o escritório de R$ 882 mil situado em área comercial de luxo em São Paulo.

 

Se Palocci se recusa a esclarecer o caso por meio da imprensa, deveria comparecer ao Congresso Nacional para explicar-se. Em regimes democráticos, como o do Brasil, é assim : aos ocupantes de cargos públicos exigem-se transparência e lisura.

 

O governo Dilma sustenta que o ministro é intocável, por ser “peça fundamental”, mas ninguém está acima de qualquer suspeita.. Na era petista, a Casa Civil concentrou os piores malfeitos, com José Dirceu e Erenice Guerra. Se não deve nada, Palocci não tem por que temer o escrutínio. Do contrário, pode acabar vendo-se na incômoda companhia destes deploráveis ex-ministros.

 

A base governista sabe que há muito a esclarecer e faz de tudo para impedir a elucidação do caso. Se o governo tem tanta convicção da lisura das atividades privadas do ministro, por que resiste tanto em permitir que ele se explique ?

Palocci aferra-se a uma das cláusulas dos contratos firmados com seus contratantes para não prestar os esclarecimentos que a sociedade cobra. Diz que obedece à exigência de confidencialidade firmada entre as partes. Com isso, o ministro demonstra ter mais apreço pelos homens do dinheiro do que pelos princípios éticos e morais da República.

 

E, agora, o PT aciona sua velha estratégia de guerra : posa de vítima quando acusado. E fez isso na pessoa de seu principal líder, o ex-presidente Lula. Essa atitude desnuda o temor gigantesco em esclarecer, de uma vez por todas, as atividades da empresa de consultoria de Palocci. E se o PT viu necessidade de chamar o síndico, é porque as suspeitas devem estar longe de serem infundadas.

 Pedro Tobias – deputado e presidente estadual do PSDB

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