Estado forte e negociante
A ministra Dilma Rousseff foi escolhida candidata do PT à presidência da República no último fim de semana tecendo elogios a um suposto “Estado forte”. Aos poucos, no entanto, vai ficando claro para a sociedade brasileira o que significa tal monstrinho, algo que pode ser chamado desde já de um neopatrimonialismo, ou seja, a ressurreição da velha apropriação do aparelho estatal por interesses privados.
O mais novo exemplo do que o petismo vem fazendo com o Estado brasileiro explodiu esta semana na imprensa : “José Dirceu recebe de empresa por trás da Telebrás”. Trata-se de mais um negócio escuso envolvendo o governo do PT e interesses privados. Em suma, o chefe da quadrilha do mensalão e, agora, um dos coordenadores da campanha de dona Dilma recebeu R$ 620 mil para intermediar junto ao governo do PT os interesses de uma das donas da Eletronet, empresa cuja rede de fibras óticas será aproveitada caso a Telebrás seja reativada como provedora de Internet em banda larga, como promete o presidente Lula.
O contratante de Dirceu é Nelson dos Santos, dono da Star Overseas Ventures, empresa que em 2005 comprou parte de uma já falimentar Eletronet por R$ 1 (não é erro de digitação : é um real mesmo). Naquela ocasião, a Eletronet devia algo como R$ 800 milhões, ou seja, Santos simplesmente jogou-se dentro de uma companhia dona de dívida gigantesca. A troco de quê ? Com o passar do tempo, as coisas foram ficando claras.
No início de 2007, o sócio da Eletronet contratou o operoso Dirceu e, oito meses depois, o governo Lula anunciou que pretendia fazer a Telebrás renascer das cinzas usando, para isso, a rede de cabos da falida Eletronet, contratante dos serviços do chefe do mensalão e, desde o último fim de semana, novamente um dos integrantes do Diretório Nacional do PT.
Para tanto, a União precisará limpar a área da Eletronet, pagando seu passivo – uma parte já começou a ser paga com o depósito de caução de R$ 270 milhões, conforme informou a Advocacia Geral da União. Nesta operação, Nelson dos Santos, que entrou na história desembolsando R$ 1, pode sair com R$ 200 milhões no bolso. Até a megavalorização que os papéis da Telebrás vêm tendo na Bolsa, de quase 35.000% desde 2003, vira fichinha perto do negócio do esperto Nelson dos Santos.
A ressurreição da Telebrás, que deve custar algo como R$ 15 bilhões e sairão do bolso de cada um de nós contribuintes, é apenas mais um episódio desta saga de ocupação. Houve outros, como os da Varig e, o mais escandaloso de todos, o da fusão Oi-Brasil Telecom, financiada com farto dinheiro público. Sintomaticamente, a Oi também figura agora no episódio da Eletronet : a supertele gestada pelo estatismo petista também é candidata a assumir um naco na empresa das fibras óticas da morta-viva Telebrás.
Os tentáculos parecem não ter fim. Todos aqueles envolvidos no mensalão estão voltando como estrelas, cada vez mais influentes não só no seu partido, mas, dentro do governo, e proporcionando o mesmo tipo de negócio que escandalizou o País em 2005. Assim, a propalada proposta do governo em ter maior presença do Estado na economia do Brasil, é apenas o prenúncio de novos escândalos.
Pedro Tobias é deputado estadual pelo PSDB











27/fevereiro/2010 às 10:12
Seria muito bom se o ESTADO assumisse os serviços que outrora pertencia a ELE. Espero que o PSDB assuma uma postura firme em relação a um ESTADO FORTE e atuante, pois isso é a vontade da maioria.
Zigomar Caetano